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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pesquisa ~ Para você que teve Parto Varginal ~ Você ficou larga? O.0

Pesquisa feita no grupo "Cesária? Não, obrigada!" no face book.


Já ouvi várias pessoas falando: “Nossaaaaaa, mas dilata 10 centímetros??????”
O que dilata é o COLO DO ÚTERO e não a vagina! A vagina é a passagem para a saída do  bebê, a vagina é elástica e sua musculatura volta ao normal! ;) 

Entenda vendo as imagens seguintes imagens:






Os nomes estão abreviados para a privacidade de cada uma rs 

Está na cor vermelho negrito a resposta se alargou ou não e o que aconteceu.
Em verde palavras minha.
Em preto negrito (sem ser o nome delas), aspectos negativos que aconteceu após o parto.

Resumo da pesquisa:
Não alargou, ficou normal ~ 26 mulheres
Não alargou e ficou melhor ~ 15 mulheres
Alargou por 1 mês e depois voltou ao normal ~ 2 mulheres
Ficou diferente (mas não ruim) ~ 1 mulher

Duas mulheres que fizeram cesárias compartilham sua experiência dizendo que:
"Fiquei sem lubrificação e sentindo muita dor nos pontos, que só passou depois de 10 meses!"
"Dor, secura"
Breve faço outra pesquisa com as mulheres que fizeram cesária e como elas se sentiram no relacionamento com o companheiro ;)

E se você quiser se divertir um pouco, leia os comentários das meninas do grupo:

"K. Katzer ~ Não alargou, voltou ao normal, e o marido, ao invés de reclamar elogiou, coincidentemente (ou não!) a lubrificação ficou muuuito mais fácil depois do parto. Não faço ideia da ligação disso, mas ok, vale para argumento!
N. de Paula ~ Como com a K, por aqui só melhorou, e olhe que são dois filhos paridos. NENHUMA mudança, a não ser pra melhor.
S. Paixão ~  Homem não pode decidir isso, ja vi amigas secarem o peito pq o marido queria ajudar dando a mamadeira na madruga para elas descansarem, não pariram pq marido falava de alargar seus brinquedos... Olha me da ódio ouvir isso vontade de responder é vc é um brinquedo dele mesmo affff enfim não alargou ficou apertada e marido empoderado rsrsrs disse q cesa só em emergência no próximo
J. Gomes ~ Volta ao normal, santa ignorância desse povo!!! Eu tinha um amigo que ficava com essa brincadeira idiota que Heitor tinha estragado o play do pai. Um dia perdi a paciência e soltei que isso era preocupação de homem do pau pequeno, que meu marido se garantia. Sei, fui baixa e chula, mas nunca mais escutei piadinha.
Comentário que diz que não alarga!
M. Guilherme Meu marido "reclamou" sim: disse que ficou muito mais difícil entrar, foi como perder a virgindade de novo, nas duas vezes, e olha que na segunda eu "quebrei" o resguardo com 11 dias.
M. Guilherme E eu também notei que a lubrificação ficou mais fácil
C. Castro Meu marido diz que tá melhor do que antes! Hehe
A.Caprara Marido relata mudança de aparência externa, mas sem alteração interna alguma...
M. Segers ~ Eu tive cesárea e apesar de não sentir um pôs operatório com dor a vida sexual uma merda .... Sem lubrificação e com uma dor terrível no corte que só amenizou depois de uns 10 meses ... Sei q pergunta foi para o parto vaginal mas serve para dizer que a cesárea sim prejudica o play rsrs
J. Freitas ~ naoooo ta normal ... vamos ver agora depois do segundo kkkk
A. Caprara ~  J., vou pro terceiro e até agora... naaada... acho que teve uma mudança em mim em relação ao meu corpo, mas é subjetivo e por conta da violência pela qual passei nos 2 partos e não uma alteração funcional do play. A anatômica alterou por conta da violência também, mas não em relação ao PN.
J. Oliveira ~ tive 3 pn (parto normal) e não alargou nada ta ate mais apertada .
R.Duarte ~ Olhe, eu não medi pra saber se alargou... mas o sexo ficou bem melhor!
T. Guirra ~ Olha, eu tive parto normal, com pique... Depois do pique a GO deu alguns pontos. E na verdade larga não ficou nenhum pouco.. Pelo contrário, ficou foi pequena demais. Foi pouco mais de 1 ano pra eu conseguir ficar confortável novamente na hora do sexo. Até brincava dizendo que tinha ficado virgem novamente.! rs
J. Maia ~ Ficou larga. Hoje meu marido só consegue me satisfazer usando uma garrafa PET. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
(desculpe, não resisti)
Comentário que diz que não alarga!
L. Lima ~ Eu fiz bastante exercícios e além de ficar melhor depois, o sexo ficou muito melhor.
S.Lanza ~Homens, fiquem tranquilos que volta ao normal sim Demora uns meses, mas volta!
L. Belan ~ pra mim demorou pra "desapertar"... doía muito no começo... depois de um tempo voltou ao normal...
N. Paula ~ L., logo depois do parto e até quase um ano depois eu fico muito, mas muito seca e sem libido, por causa da prolactina (hormônio da amamentação). Aí é muita paciência e criatividade, afinal sexo não é só penetração, né? Depois que o ritmo de amamentação diminui, a coisa fica ótima de novo.
L. Morais ~ Não mudou não. Não ficou larga marido não reclamou Pelo contrario, ele falou que ficou melhor, mais 'apertadinho'. huahuahuah
E eh o que eu vejo falar sempre.. nunca vi nenhuma mulher falando que o marido queixou.. então me pergunto de onde vem isso? Kkkk ...
V.Otoni ~ NÃO, NÃO ALARGOU, É MITO!
V.Otoni ~  Não, marido não reclama. Marido continua DOIDIM por ela
S. Alves ~ o usuário aqui nem tinha comentado nada. aí um dia de tanto eu insistir ele disse que ficou diferente, mas não ruim. só diferente. e eu acho o sexo agora mais prazeroso. no começo incomodava um pouco, mas logo se ajeitou e agora, um ano depois, tá muito bom
E. Gonçalves ~Concordo com M., tive duas cesáreas e após a segunda só dor, secura, parece que mudou de lugar! Nem sinto vontade de fazer por causa disso.
A. Caprara ~ Muitos mesmo! Uma vez tive que aguentar um comentário desses num grupo do falecido orkut... Aguentar não, ler, pq não sou de aguentar calada. Depois de ter falado que eu tinha feito já 2 PNs, uma lindona lá disse que não fez porque não queria ficar "laciada". Então eu falei: vem aqui e pergunta pro meu marido se sou alaciada! E eu sou a grossa... Ah vá!
Comentário que diz que não alarga!
P. Melo Fiquei um pouco "folgada" no primeiro mês, mas depois tudo voltou ao normal. Marido notou q estava mais "larga" somente na primeira vez q visitou, agora após nove meses está tudo normal como antes. É mito essa história de alargar.
D. Z. ~ Aqui melhorou muito. Eu me achei mulherão depois...e mandei ver. Ninguem reclamou...
A. Silva ~ Aqui fiquei mais apertada e pouco lubrificada por bastante tempo. Sò consegui ter relação normal sem lubrificante, após 8 meses de parida. Aqui foi o inverso, rsrsrsr
A. Fourquer ~ Ouvi varios relatos de "cesariadas" que perderam a lubrificaçao. A minha diminuiu no começo, mas agora ja voltou ao normal ( sou cesariada). Nao acredito nesta bobagem que as mulheres ficam largas. Pode ser que assim como relatou a Paula, no 1° mês os musculos de algumas ainda estão voltando para o lugar, mas depois fica tudo normal de novo. A natureza é sábia. E se tem um argumento que acho cruel, baixo e que me dá vontade de chegar dando uma "voadora" é quando alguém fala que a mulher vai ficar larga depois do parto. Mesmo eu que nunca pari, quando escuto isso começo a me debater feito peixe recém pescado ! Que ódio ! O que pode acontecer na verdade é um afrouxamento da musculatura abdominal causado pela gravidez. Mas isso pode ocorrer tanto no parto normal quanto na cesariana. Por isto a importância dos exercícios pélvicos para TODAS as mulheres que acabaram de ter filhos, independente da via nascimento utilizada.
V. Maino ~ Meu parto vaginal teve laceração grave que foi corrigida com cirurgia. Fiquei mais de um ano após a cirurgia com essa "secura" que já descreveram. Muita dor, muito incômodo e vontade nenhuma!
Agora passou ... mas larga não ficou não!!!
M. Liz ~ Não alarga e fica ate melhor, como mtas disseram. Mto interessante perceber o mesmo relato de tantas mulheres! Acho que outro mito eh o da cama compartilhada, no começo eu pensava que poderia atrapalhar e hj quero dormir com a bebe junto todas as noites
A. Foncesa ~ não alargou! Não tive episio, mas laceração de 1o grau nos pequenos lábios. doeu um pouco as primeiras vezes que fizemos sexo, mas agora ficou beeem melhor! tenho orgasmos múltiplos, minha gente! Hahahahaha
J. Trujillo ~ Não alargou não! Os tecidos se adaptam ao parto e depois voltam ao normal!
A. Caprara ~ O lance de ficar um pouco mais larga no começo não me parece uma coisa muscular. Para o nascimento existe até mesmo um crescimento de todos os tecidos envolvidos. Eles aumentam em tamanho mesmo, ou seja, se você pudesse cortar a vagina e esticá-la numa mesa, uma vagina de não gestante esticaria um X e a de uma gestante ou puérpera esticaria 2X (estou chutando os valores, não sei se é o dobro, mas é mais). Isso é bem diferente de alaciar como couro de um sapato. E obviamente leva um tempinho até o corpo recolocar no lugar (diminuindo a quantidade de tecido local). Estou extrapolando dos animais não-humanos para os humanos apenas.
Comentário que diz que não alarga!
A. Caprara ~ O mesmo ocorre com o útero. Ele não alarga apenas. O maior responsável pelo aumento é essa multiplicação tecidual.
F. Santos ~ Puro MITO!!! Fica é mais apertada, e mil vezes melhor do q era antes, meu próximo filho quero PN de novo meu marido amou o resultado...rrsrsrs
M. Milanez ~ Gente tive a 1° relação 15 dias após o parto... Normal para mim e o maridão tmb garantiu que tudo normal!
M. ~ Ai gente to adorando ver essses relatos de relação após poucos dias de parida sinceramente quero esperar mt não kkkk. M. se 15 dias foi tranquilo pra vc será pra mim tb né? Hahaha
A. Fourquet ~ Nossa 15 dias após ? Pois quem faz cesária tem que esperar 6 semanas ( instruções do meu médico ). E mesmo assim depois desse tempo a cicratriz ainda doía... Então era meio incômodo..."


Obrigada a todas vocês que colaboraram com a pesquisa! Fiquei super feliz!


Então minha gente! Isso de que a vagina fica larga é puro mito, é até normal ela ficar mais apertada; parece mentira, mas é verdade rs! E mesmo se não ficar apertada, volta ao normal, até em bemmmmm menos de um mês como comentado na pesquisa.

E você que não participou da pesquisa, pode comentar sua experiência nesse post! 

Nádia

sexta-feira, 19 de abril de 2013

As 12 maneiras mais frequentes de enganar a mulherada ~ por Ana Cristina Duarte



Cesárea 171-I: Cordão enrolado
A verdade: quase um terço dos bebês nasce com circular de cordão. Mas a gelatina que recheia o cordão ajuda a impedir que os vasos se fechem. Além disso o bebê não respira dentro do útero!
Cesárea 171-II: Pressão Alta
A verdade: A hipertensão é um problema grave, mas nos casos em que ela foge ao controle pode ser necessário induzir o parto normal.
Cesárea 171-III: Bacia Estreita
A verdade: Impossível saber o tamanho da bacia por dentro e os ossos da cabeça do bebê são soltos e se sobrepõem para passar pela bacia materna
Cesárea 171-IV: Bebê Grande
A verdade: Impossível saber o peso do bebê pelo ultrasom e os ossos da cabeça do bebê são soltos e se sobrepõem para passar pela bacia materna
Cesárea 171-V: Passou do Tempo
A verdade: A gravidez humana normal vai até 42 semanas. Passado o prazo considerado seguro, pode ser necessário induzir o parto normal.
Cesárea 171-VI: Parto Prematuro
A verdade: Bebês prematuros nascem em melhores condições se for por parto normal
Cesárea 171-VII: Diabetes Gestacional
A verdade: É uma condição em geral controlada com dieta, exercícios e medicamentos, e não tem qualquer relação com a via de parto. Nenhuma!
Cesárea 171-VIII: Bebê fez cocô (mecônio)
A verdade: O mecônio não é um problema, a não ser nos casos em que os batimentos cardíacos do bebê estão insatisfatórios, evidenciando sofrimento fetal. Mesmo assim a indicação é o sofrimento fetal, não o mecônio.
Cesárea 171-IX: A bolsa rompeu e não teve contração
A verdade: É só aguardar 24 horas e se não entrar em trabalho de parto, induzir. A indução pode levar até 48 horas para “engatar”. Antibióticos podem prevenir infecção. Fácil convencer o GO de esperar 72 horas, não é mesmo?
Cesárea 171-X: Não teve dilatação
A verdade: Todas as mulheres dilatam se aguardar a fase ativa do trabalho de parto.
Cesárea 171-XI: Não entrou em trabalho de parto
A verdade: Se não for colocada numa mesa cirúrgica, toda mulher entra em trabalho de parto.
Cesárea 171-XII: Na consulta de pré natal o colo do útero está fechado
A verdade: O colo do útero em geral fica fechado. O que faz ele abrir são as contrações de trabalho de parto.
Cesárea 171-I: Pouco líquido
A verdade: A diminuição do líquido amniótico é normal e esperada no final da gestação. No caso de diminuição acentuada, pode ser necessário induizir o parto normal, o que pode levar até 48 horas. Fácil convencer o GO de esperar 72 horas, não é mesmo?

Sequestrado do blog "Grupo Luz e Vida"

terça-feira, 16 de abril de 2013

Eu não tive dilatação! ~ Por Ana Cristina Duarte




"Levanta o mouse para cada vez que você ouviu essa frase, e também se você a proferiu. Não, esquece, você deve ter outras coisas a fazer depois de algumas horas levantando o mouse sem parar.

Vamos aos chocantes fatos: não existe falta de dilatação. Mas por favor, antes que você comece a ranger dentes e ficar com os olhos vermelhos de ódio, leia esse texto até o fim. Se sobrar alguma dúvida ou restar a discordância, conversemos com amor!

A dilatação do colo do útero é um processo passivo que ocorre quando as contrações encurtam as fibras musculares do útero, empurrando o bebê para baixo e puxando o colo para cima. Essas contrações, uma após a outra, vão puxando o colo de tal forma contra a cabeça do bebê, que é como se ele estivesse vestindo uma blusa de gola muito apertada. Cada vez que o útero contrai no trabalho de parto, a gola veste mais um pedaço de milímetro de sua cabecinha.

A contração passa, o colo relaxa, mas não volta a fechar o que já abriu. Na contração seguinte, é puxado mais um pouco. Lá pelas tantas o colo "veste" toda a cabeça do bebê, em seu maior diâmetro. Essa é a "dilatação total", e nessa hora o colo do útero tem aproximadamente 10 cm de diâmetro. 

Porque então tantas mulheres (especialmente as usuárias do serviço privado) têm tantos problemas de dilatação? Bem, existem algumas causas, vamos a elas:

1) Se a mulher não entrar em trabalho de parto e não ficar em trabalho de parto, ela obviamente não terá dilatação (a não ser que tenha uma patologia que a faça dilatar precocemente). Portanto quando a mulher vai na consulta de 38, 39 semanas, e o obstetra diz que ela não tem dilatação, o certo seria responder: "Claro, doutor, se eu estivesse em trabalho de parto eu saberia".

2) O trabalho de parto é caracterizado por contrações espontâneas de 3 em 3 minutos (aproximadamente), que duram de 1 minuto a 90 segundos. Em outras palavras, quando a mulher fica 12 horas "em trabalho de parto", com contrações a cada 10 minutos, isso não era trabalho de parto. Isso eram os pródromos, o princípio, a fase de instalação do processo do parto.

3) Tem mulher que demora mais para entrar em trabalho de parto efetivo, e pode ficar 2 ou 3 dias com contrações ritmadas, mas que não chegam a engrenar nos 3 em 3 minutos. É preciso muita paciência e muita doula para lidar com essa longa latência, mas o fato é que uma hora ela vai entrar em trabalho de parto.

4) Quando a bolsa se rompe e não há dilatação, é necessário esperar. Após longa espera, é possível se induzir o parto. Uma indução bem feita (preparação do colo com prostaglandinas e posterior aumento da dinâmica com ocitocina) pode levar 48 horas facilmente. Nem todo serviço e nem todo obstetra está disposto a ficar 48 horas induzindo um parto.

5) Ocitocina aplicada numa mulher sem dilatação só faz provocar contrações dolorosas, intensas, e que não fazem o colo do útero dilatar. Muitas vezes essa é a "técnica de convencimento" que alguns profissionais usam para a mulher desistir do parto normal e pedir uma cesárea pelo amor de Deus.

6) Dependendo do estado de tensão da mulher, ela pode bloquear a dilatação ou ter um processo muito lento, absurdamente lento. Para essas mulheres, a analgesia de parto normal (peridural ou combinada, raqui não) pode ser um tremendo alívio e não foram poucas as vezes que vi mulheres estacionadas nos 3 ou 4 ou 5 cm há muitas horas evoluírem para parto espontâneo apenas duas horas após analgesia. E se duvidam, posso indicar um anestesista com quem trabalho e que já testemunhou inúmeros casos assim, para explicar como isso funciona.

7) Em dez anos trabalhando semanalmente com três equipes que têm 10% de cesarianas, mais de 400 mulheres atendidas por mim quando era doula, além das centenas atendidas por elas em que eu não estava presente, mas sim outras doulas, eu nunca vi uma cesariana feita por falta de dilatação. Nunca! Nos 10% de cesarianas em trabalho de parto entraram basicamente: estresse fetal antes da dilatação total ou desproporção céfalo-pélvica. Em outras palavras, as poucas cesarianas feitas antes da dilatação total foram feitas porque o bebê se cansou e não dava mais para esperar terminar o processo de dilatação, sob risco dessa espera fazer mal ao bebê.

8) Para chegar de fato nos dois últimos centímetros de dilatação e atingir a tal  "dilatação total", o bebê já tem que estar descendo através da bacia pélvica. Por isso, nos casos em que há a verdadeira desproporção céfalo-pélvica, a mulher dilata até 8-9 cm. Talvez esse último centímetro que falta jamais venha a ser vencido. Após todas as tentativas de ajudar o nascimento, às vezes com algumas intervenções, pode ser que o bebê de fato não passe pela bacia pélvica, e nesse caso a cesariana seja feita quando a dilatação estacionou nos 8-9 cm.

9) A dilatação não é um processo simétrico. Ela depende da posição da cabeça do bebê. Normalmente o último centímetro a abrir está à frente da cabeça do bebê, próximo ao osso púbico materno, internamente. A esse último centímetro chamamos de "rebordo de colo" ou "rebordo anterior". Com paciência, esse último centímetro desaparecerá, e o bebê nascerá. Às vezes pode ser preciso ou pode ser útil abreviar o tempo do parto reduzindo-se esse último centímetro com um exame de toque. Isso se chama "redução do colo". É um processo doloroso, que deve ser evitado a todo custo, se possível.

10) A única coisa que pode impedir um colo de dilatar é um tumor grave no tecido. Tirando essa situação, todas as mulheres irão dilatar, se tiverem os recursos, tempo e equipe necessários.

Para aguardar que todas as mulheres dilatem, precisamos ter disponíveis profissionais bem dispostos, sem pressa, com repertório, incluindo parteiras, doulas, obstetras, anestesistas e pediatras. É preciso haver recursos completos para alívio da dor como ambiente agradável, bola, banqueta, banheira, chuveiro, massagem, alimentos, conforto para os acompanhantes, etc. E por fim, é preciso ter disponível analgesia de boa qualidade para as poucas mulheres que necessitam."

Curiosidades da Partolândia - Mitos derrubados, um a um ~ por Ana Cristina Duarte


"1. Não existe bebê ficar mal porque “bebeu água do parto” ou porque “engoliu mecônio”. Bebês bebem água do parto durante metade da gestação, o tempo todo. E o mecônio é uma substância estéril e sem risco para o tubo digestivo. O perigo real é a aspiração profunda de mecônio, porque obstrui os alvéolos e frequentemente está associado a um evento de anóxia perinatal. Na verdade os novos protocolos de reanimação neonatal dizem para não perder tempo aspirando um bebê com mecônio. Se não estiver bem, entuba e leva pra UTI. Ou seja, se for líquido, não aspire, se estiver bem, não aspire, se tiver mecônio e estiver bem, não aspire. Se tiver mecônio e estiver com problemas, leve pra UTI, não perca tempo aspirando.

2. Na maioria das situações normais, o fator determinante para o início do trabalho de parto é o bebê. Quando seu pulmão (último órgão a amadurecer) fica pronto, começa a produzir surfactante, que cai no líquido amniótico e provoca uma reação em cadeia que faz a mulher entrar em trabalho de parto. Portanto quando a mulher não está em trabalho de parto significa, em geral, que o bebê não está maduro. Para entrar em trabalho de parto, não adianta escalda pé, acupuntura, comida apimentada e escrever cartas. O que adianta é pedir pro bebê produzir logo um pouco de surfactante!

3. Não existe dilatação de “5 dedos”. A dilatação se mede com 1 dedo, 2 dedos e a partir disso são centímetros, pois não dá para colocar 3 dedos, 4 dedos.. até dá, mas não é bonito. Então a dilatação vai em 1 dedo, 2 dedos, 3 cm, 4 cm… até 10 cm.

4. Todos os bebês nascem roxos, porque dentro do útero eles vivem o tempo todo com essa cor, sendo o útero um ambiente de baixa oxigenação. Só quando nasce e respira é que ele vai começar a ficar cor de rosa aos poucos.  Mesmo bebês de afro-descendentes ficarão rosados, pois a cor rosa vem da circulação do sangue oxigenado. Portanto, quando disserem “você passou da hora, tanto que nasceu roxo na cesárea”, desconfie. Bebês nascem roxos, todos! Inclusive hoje, nos novos protocolos de reanimação, já não se considera a cor rosa como item essencial para um bebê que acaba de nascer.

5. A gravidez humana dura EM MÉDIA 38 semanas a partir da concepção ou 40 semanas a partir da última menstruação. Quando falamos que a gestante está de 28 semanas, já estamos contando da menstruação. Se fôssemos falar a partir da concepção, diríamos que ela está de 26 semanas. A contagem em mês é artificial e aleatória. Com 28 semanas tem gente que chama de 7 meses, tem gente que chama de 6 meses, tem gente que chama de 6,5 meses. Contagem em meses tem apenas fins recreativos. 

6. A medida do comprimento do recém nascido também tem fins apenas recreativos. Como o bebê sempre está encolhido, então não dá para medir com exatidão. Essa medida só serve para a diversão da galera, e não entra em nenhum levantamento de saúde. Nem entra na DNV, declaração de nascido vivo. É que nem medir o bíceps de um menino de 8 anos para saber se ele é forte. Se três pessoas diferentes medirem o mesmo recém nascido, teremos três medidas diferentes. A única medida que tem importância num recém nascido é o peso.

7. Todos os bebês têm algum nível de icterícia fisiológica, aquele amarelo na pele e olhos nos dias seguintes ao nascimento. Eles nascem com excesso de hemáceas, que ao serem degradadas produzem a bilirrubina, substância amarela. Aos poucos o fígado metaboliza a substância e a cor da pele vai voltando ao normal. São raríssimos os casos de icterícia patológica que requerem banho de luz. A imensa maioria dos bebês internados nas UTIs neonatais privadas estão lá ajudando a pagar o equipamento, só isso.

8. Quando a bolsa se rompe, o bebê continua produzindo líquido amniótico através da urina, e sua cabecinha faz uma “rolha” que veda o colo do útero provisoriamente. Assim, ele sempre terá líquido amniótico ao seu redor! Não à toa que um bebê que nasce com bolsa rompida há muito tempo, frequentemente ainda vem numa torrente de água! É bom lembrar que a principal função do líquido é a proteção contra choque. Bolsa rompida não faz o bebê nascer seco.

9. O cordão umbilical é preenchido de uma geléia elástica que faz com que ele seja praticamente “incomprimível”, mantendo assim os vasos sanguíneos bem protegidos. Por isso que em situações normais, circulares de cordão (seja quantas forem), não tem significado!

10. Tecnicamente o cordão umbilical não precisa ser cortado em nenhum momento específico após o parto. Se a família quiser, pode esperar a hora do banho da mãe, ou da pesagem do bebê. Se o bebê nasce na rua ou em casa, é para deixar o cordão ligado. O cordão não faz mal ao bebê! Ele faz parte de um sistema fechado bebê-cordão-placenta, por onde não tem como os germes entrarem. Na dúvida, não corte o cordão.

11. Durante o parto, o que dilata é o colo do útero, aquela estrutura lá no fundo do canal vaginal, que fecha o útero e mantém o bebê lá dentro por 9 meses. É lá que a gente mede a dilatação. Depois disso, no canal do parto, vem só tecido elástico, que não precisa dilatar para o nascimento, mas sim “esticar” conforme a cabecinha do bebê vai descendo para nascer.

12. Apgar é uma nota que se dá ao bebê quando ele nasce. Não precisa fazer nada, só observar o bebê. A primeira nota se dá com 1 minuto de vida e não tem maior importância. Já a segunda nota se dá com 5 minutos de vida e diz mais ou menos as condições do recém nascido naquele momento. Qualquer nota acima de 7 no quinto minuto já é uma boa nota. A nota do primeiro minuto não é levada em consideração em nenhum tipo de levantamento. Portanto é perferível um bebê que nasce com notas 2 e 8, do que um que nasce com nota 5 e 6.

13. Tamanho de bumbum não é tamanho de quadril. Não há como se avaliar um tamanho de bacia pelo "shape" da pessoa! O bebê passa pelo buraco interno da bacia, não importa quanto de bumbum sua mamãe possua. O buraco interno não tem como ser medido com exatidão. Só há uma forma de saber se o bebê vai passar ou não pela menor ou pela maior das bacias pélvicas: entrando em trabalho de parto e aguardando a dilatação total do colo do útero. Se depois disso descer, nasceu. Se não descer e ficar fora da bacia, não nasceu. E olha que já vi muita criança "não nascer" num parto, e depois ganhar um irmão de parto normal, que passa pela mesma bacia, com peso até maior do que o primeiro.

Ana Cristina Duarte ~ Obstetriz ~ São Paulo, SP"

terça-feira, 9 de abril de 2013

Medos e Mitos no Parto Normal



Muito provavelmente não existe assunto mais envolto em medos, tabus e mitos do que o tema “parto”. Quem está ou já esteve grávida um dia sabe bem o que é ouvir da manicura, da vizinha ou de conhecidos próximos, histórias tenebrosas sobre bebês que morrem na barriga, dos bebês que ficam com paralisia cerebral por causa do parto, do líquido que seca, do cordão em volta do pescoço que sufoca o bebê e por aí vai.

A mensagem por detrás das linhas é o de que as mulheres de hoje são mesmo incapazes de parir seus filhos em segurança e que passar pelo parto normal é algo extremamente perigoso e antiquado. De fato, se fosse mesmo assim, nossos antepassados seriam todos paraplégicos, teriam cabeças tortas ou a espécie humana teria simplesmente se extinguido.

Pensando em proteger nossos ouvidos e nosso coração de tamanho “ataque” e fortalecer escolhas conscientes, vamos desvendar aqui alguns mitos que cercam o parto normal, tendo como norte as evidências científicas e algum conhecimento sobre fisiologia do parto.

Falta de dilatação – “Meu útero não dilatou e teve que ser cesárea.”

Tecnicamente falta de dilatação não existe. Existem tempos diferentes para cada mulher dilatar. É muito comum ver mulheres chegando cedo demais no hospital, ainda em pródromos ou em um falso trabalho de parto. Pode acontecer sim uma evolução difícil da dilatação, ou uma dilatação que estaciona em alguns cm e não vai para frente. Provavelmente alguma “interferência” do ponto de vista emocional ou até mesmo do ambiente externo (excesso de luzes e pessoas observando, ar condicionado forte, clima tenso) pode estar interferindo negativamente e caberia à assistência eliminar tais estímulos e ajudar a mulher a enfrentar seus medos e ir em frente.

Cordão umbilical enrolado – “O cordão estava em volta do pescoço do bebê, se fosse parto normal ele iria se enforcar e morreria.”

Pra começo de conversa mais de 30% dos bebes nascem com circular de cordão e nascem de parto normal muito bem, obrigado. O cordão umbilical é bem comprido e é preenchido de uma gelatina elástica e todo torcido, preparado justamente para não interromper o fluxo de sangue se for dobrado ou enrolado. O bebê recebe oxigênio através do sangue que passa pelo cordão umbilical e não respira pelos pulmões justificando que iria sufocar, enforcado no cordão. Pode acontecer alguns casos raros (bem raros mesmo) de haver um cordão umbilical curto demais, o que impediria a saída do bebê do útero se estivesse com circular. Isto seria detectado durante o trabalho de parto (pela escuta dos batimentos cardíacos do feto) e aí sim uma cesárea seria necessária e bem vinda.

Medo da dor - Muitas mulheres dizem que não conseguiriam passar por um parto normal por serem muito sensíveis à dor.

Na verdade não sabemos como é a dor do parto antes de passar por ela. Não sabemos como iremos reagir. A dor do parto é sábia, vem em ondas dando um intervalo de descanso entre uma onda e outra, nos permitindo recuperar as forças. A dor faz com que o organismo libere diversos hormônios fundamentais para este período, que irão interferir até mesmo na amamentação. Um destes hormônios é a endorfina, que é um analgésico natural. Nos sentimos como atletas no final de um grande jogo. Mesmo com dor, mesmo com contusões, seguimos adiante em busca da vitória e do grande prêmio que é ter o bebê nos braços no final da partida. O processo da dor permite que nos descubramos cada vez mais fortes e capazes. Quantas mulheres não se surpreendem com a força que têm depois de um parto! E esta força nos garante muita confiança para cuidar de um recém-nascido. Vale a pena tentar e conhecer de perto as diversas técnicas de alivio de dor e desconforto como o uso da água, posições, massagens e até mesmo a anestesia na fase final do parto.

Cesárea é um procedimento indolor – “Tenho muito medo da dor do parto, então já marquei a data da cesárea.”

Eis um grande mito. O corte da cesárea geralmente dói de forma contínua por algumas semanas ou até meses depois do parto. Bem quando precisamos estar inteiras para cuidar do bebê. Vale a pena lembrar que uma cesárea é uma cirurgia de grande porte, corta sete camadas de tecido, incluindo o músculo abdominal. No momento da cirurgia, estamos anestesiadas, mas geralmente sentindo todo o processo de abrir e mexer com o bebê e com o útero, sensação que pode ser bastante aflitiva para muitas mulheres.

Bacia estreita ou bebê grande demais.

A idéia aqui é que a cabeça do bebê seria maior do que a bacia da mãe e não poderia passar pelo canal de parto. Esta desproporção pode até acontecer, mas em alguns casos raros. O fato é que é tecnicamente impossível saber se o bebê não vai passar antes que o trabalho de parto tenha começado e a dilatação esteja completa. Ou seja, só é possível diagnosticar um caso real de desproporção entre cabeça do bebê e pelve da mãe, no final do trabalho de parto. E, mesmo que se encaminhe para a cesárea, mãe e bebê tiveram muitos ganhos, do ponto de vista hormonal e psíquico, por terem passado pelo trabalho de parto.

Parto demorado – A idéia aqui é que se um parto for muito demorado o bebê estaria correndo sério risco de vida.

Na verdade não existe um padrão de tempo pré-determinado para o parto acontecer. Cada mulher tem um tempo próprio para parir. Um parto pode demorar 1 hora como pode demorar 3 dias.

O que interessa é avaliar adequadamente se os sinais vitais do bebê e da mãe estão bem, o que se faz pela escuta dos batimentos fetais e da pressão e vitalidade da mãe. Enquanto estes sinais estiverem num padrão tranqüilizador, então o parto está no tempo certo.

Parto normal “estraga” a mulher – A idéia aqui é de que a passagem do bebê pela vagina alargaria o canal de parto, deixando a mulher “alargada” e interferindo negativamente no prazer sexual do casal.

Eis um grande mito. O canal por onde passa o bebê é como um diafragma , a vagina e o períneo (musculatura que envolve a entrada da vagina e ânus) são grandes e fortes músculos e sendo assim, tem a capacidade de relaxar e contrair, voltando ao tamanho normal ou muito próximo ao normal depois do parto. A vivência do parto e a percepção de que é possivel utilizar esta musculatura pode melhorar e muito a vivência sexual da mulher e de seu parceiro. A melhor forma de prevenção da frouxidão da vagina ou da bexiga é através de exercícios que podem ser feitos com o períneo. Evitar o parto normal ou submeter-se a episiotomia - corte cirúrgico feito na vulva e vagina para acelerar o parto – para evitar de ficar “ alargada” é um grande mito cultural hoje impregnado em nossa sociedade e que vem sendo lentamente revisto pela literatura científica.

Mais mitos e medos ainda povoam a idéia de parto na nossa cultura atual. Falar sobre todos daria certamente um extenso livro. Mas vale aqui lembrar que o gênero humano teve mais de 2 milhões de anos para aperfeiçoar a fisiologia da gestação e do parto. Se herdamos defeitos, herdamos também soluções adaptativas. Talvez jogar luz do conhecimento sobre mitos e medos culturais da nossa atualidade seja um caminho necessário para os dias atuais.

Eleonora de Moraes - Psicóloga, doula (acompanhante de parto) e educadora perinatal - Coordenadora do Despertar do Parto