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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O que é um Parto Humanizado? ~ Por Ana Cristina Duarte


"Não verdade não há um consenso sobre o que é parto humanizado e há muito preconceito também, especialmente entre profissionais que se recusam a sair do modelo "eu faço partos há 20 anos, não é você quem vai me ensinar". Entre essa categoria mais engessada, a fala em geral é: "se eu não faço parto humanizado, eu faço o que? parto de bicho?". Em uma coisa eles têm razão, esse nome não diz nada! 

O que faz diferença na assistência humanizada verdadeira é a atitude de todos. Por isso, se o seu profissional prioriza o conjunto te preceitos enumeradas abaixo, ele é um profissional humanizado, dentro desse conceito de humanização. 

Vamos a eles! O Parto Humanizado é:

1) Respeito aos tempos da mãe e do bebê. Qualquer aceleração do processo, quer indução, aumento artificial das contrações ou agendamento de cesariana precisa de uma forte justificativa clínica. Não faz sentido marcar a cesariana porque a mãe está pesada, e entender isso como "protagonismo feminino". Existem várias possibilidades de ajuda para uma mãe cansada, e que não desrespeitam o tempo do bebê.

2) Respeito ao protagonismo feminino. É importante mudar o olhar e compreender que o parto é da mulher e que ela tem direito a escolhas e total liberdade. Esse é talvez o maior desafio dos profissionais e dos serviços. A cada vez que alguém se dirige à mãe e se diz o que ela deve fazer, já houve um desrespeito a esse protagonismo. Um exemplo básico, se a mãe chega na triagem e alguém diz: "por favor, mãezinha, a senhora vai ali naquele banheiro, tira toda a roupa e coloca essa camisolinha voltada para trás".. BANG! Matou o protagonismo! Essa talvez é a maior mudança de mentalidade necessária e a origem de todas as outras mudanças.

3) Compartilhamento de responsabilidades. O médico não proíbe, não aconselha, não manda. O médico ou a parteira ou qualquer outra pessoa da equipe mostra sempre as opções e a mulher escolhe o que ela quer para ela. Mesmo quando parece não haver opção, há opção. E já que não existem garantias mesmo, o melhor é ser claro, mostrar riscos e benefícios e permitir que a mulher sinta que está sendo co-responsável por suas escolhas. Por exemplo: "Sim, você pode tomar analgesia, mas existe um pequeno risco disso repercutir para o bebê, ou você pode tentar ficar mais um pouco na banheira, ficar lá com o seu marido e ver se consegue aguentar mais um pouquinho. Quem sabe possamos reavaliar daqui a 1 hora e já vai estar bem mais perto de nascer?"

4) Uso das melhores evidências. Depois de 30 anos de evidências contra o uso rotineiro de episiotomia, não cabe afirmar que a episiotomia protege a mulher. Hoje em dia existem claras evidências de que o melhor é deixar o parto acontecer naturalmente, sem qualquer tipo de intervenção, no ambiente mais simples possível, com equipes igualmente simplificadas.

5) Levando tudo isso em consideração, apesar de que uma ou outra mulher possa precisar de analgesia, ou de rompimento artificial da bolsa das águas, ou um pouquinho de ocitocina em algum momento, a imensa maioria das mulheres de baixo risco terá, dentro desses princípios todos, um parto:

- De início espontâneo, sem indução
- Sem precisar subir em cadeira de rodas ou macas até a sala de parto
- Sem precisar usar uniformes específicos
- Em um ambiente simples, sala agradável (chamadas de PPP), com mobília adequada, com banheira e chuveiro disponíveis, luz baixa, música a gosto e total privacidade
- Atendido por uma obstetriz, enfermeira obstetra e/ou médico
- Sem o uso de ocitocina durante todo o trabalho de parto
- Sem raspagem dos pelos pubianos e/ou a abjeta lavagem intestinal
- Com liberdade de alimentação e ingestão de líquidos
- Sem o uso de cardiotocografia contínua, tendo o coração do bebê avaliado intermitentemente com um sonar simples, a intervalos regulares de tempo
- Com apoio contínuo do(s) acompanhante(s) e de uma doula particular
- Com o uso de métodos não farmacológicos para dor
- Com o uso de analgesia se necessário, depois de informada dos riscos e benefícios
- Sem ruptura artificial da bolsa das águas
- Com absoluta liberdade de movimentos para a mãe durante todo o processo, inclusive durante o período expulsivo
- Encorajamento das posições verticalizadas
- Sem episiotomia, sem empurrar a barriga, sem dedos nervosos na vagina da mulher, sem prender a respiração para fazer força comprida, sem fórceps, sem vácuo-extrator para acelerar um processo em que mãe e bebê estão bem
- Sem limites arbitrários de tempo para o parto e para o período expulsivo, porque o bebê "ainda está alto", por exemplo
- Com o bebê sendo colocado imediatamente no colo da mãe com o cordão ainda ligado, mantido intacto pelo menos até parar de pulsar, e com amamentação a mais precoce possível
- Sem aspiração das vias aéreas do recém nascido, separação da mãe, colírio e identificação só após a primeira mamada, vitamina e vacina só depois de algumas horas e após tempo para o vínculo mãe-bebê
- Com o uso de alojamento conjunto desde a sala de parto até o final da estadia

6) O uso de uma intervenção (ou mais, se necessário) não tira o aspecto humanizado do parto. Desde que seja necessária no contexto e de que seja dada a escolha para a mãe, desde que seja, portanto, utilizada em caráter de exceção. E no final, até mesmo uma cesariana pode ser necessária, e ainda assim é perfeitamente possível ser calmo, falar baixo, respeitar mãe e bebê sem falar de outros assuntos, baixar a luz, aquecer o ambiente, e obedecer aos três últimos princípios, que ocorrem depois do nascimento.

Em suma, o parto humanizado é um parto o mais natural possível, com o menor número de intervenções que for possível para aquela dupla mãe-bebê e onde cada intervenção só seja utilizada quando os seus riscos forem menores do que o risco de não utilizá-la; onde os tempos, os interesses e a liberdade da mãe e do bebê sejam os principais motivadores de todos os envolvidos; e o melhor: tudo baseado em evidências científicas e nas recomendações da Organização Mundial da Saúde. "


Ana Cristina Duarte Obstetriz

terça-feira, 23 de abril de 2013

Entenda o que é doula ~ pelo site bebe.com.br (18-04-2013)

ThinkStock

“Conheça a importância do trabalho destas mulheres que ajudam a transformar a experiência do parto em um momento ainda mais especial e tranquilo.

O que é uma doula?
“Ela olhava nos meus olhos e dizia que eu iria conseguir. Não consigo imaginar meu trabalho de parto sem aquelas massagens que minha doula fazia. Eu sabia que estava em boas mãos e pude realizar um sonho: parir meu filho”, suspira Erika Patrícia Costa Farias, mãe de Pedro de 4 anos e Luis de 6 meses. O primeiro, nascido por meio de uma cesárea. O segundo nasceu em um parto natural restaurador, sem analgesia, na banheira do Hospital São Luiz Itaim, em São Paulo.Assim como Erika, muitas mulheres sonham em conseguir um parto normal, mas a maioria teme sentir dores insuportáveis e passar por este momento sem o apoio necessário. Esta é a principal função das doulas: dar suporte físico e emocional à gestante em trabalho de parto. Doula não é parteira, não é enfermeira, nem substitui a presença do pai. Doula não faz qualquer tipo de procedimento invasivo como exame de toque ou administração de medicamentos. 

No trabalho de parto, a profissional ajuda a mulher a encontrar as posições mais favoráveis durante as contrações, faz massagens e compressas para aliviar a dor, ajuda o parceiro a se envolver e participar ativamente do parto e informa o casal sobre todos os procedimentos que estão sendo realizados.“Ter a doula ao nosso lado foi fundamental. Ela me ajudou a ficar firme e não me desesperar vendo a Mariana sentir as contrações”, afirma Gabriel Guimarães, que viveu o trabalho de parto intensamente com sua esposa.

O serviço desta assessora começa antes do dia do nascimento do bebê, com encontros para conhecer a gestante e informá-la sobre as etapas do trabalho de parto, preparação do períneo e elaboração do plano de parto. E também continua após a chegada do novo membro da família, tirando dúvidas sobre o início da amamentação e conversando sobre a experiência do parto.

Maíra Duarte, doula há mais de três anos, diz que o mais importante para ela é levar informação de qualidade para que o casal consiga vivenciar o momento de dar à luz sem medo. “Maíra me sugeriu posições, fez massagem, olhou nos meus olhos e encorajou meu marido... Meu trabalho de parto durou cerca de 22 horas e esse apoio foi importantíssimo”, conta Camila Souza Torelli, que escolheu Maíra para ser sua acompanhante no parto de seu filho, Antônio.

Após tentar o parto natural, Silvia Kawata precisou aceitar a necessidade de passar por uma cesárea e conta que não abriu mão do apoio da doula durante a cirurgia. “Nossa doula me deu conforto físico e psicológico tanto durante o trabalho de parto, quanto durante e após a cirurgia. Ficou comigo até a hora em que fui levada para a sala de pós-operatório e me disse palavras de carinho”, explica Silvia, que pôde contar com a presença da doula no centro cirúrgico por se tratar de uma cesárea necessária. As doulas costumam apoiar o parto natural e, dificilmente, concordam em acompanhar a gestante durante uma cesárea eletiva.


Doulas X Maternidades
A entrada das doulas não é permitida em todas as maternidades do Brasil. Por isso, antes de escolher o hospital que dará à luz, informe-se se a instituição permite a entrada desta profissional.

A Associação de Doulas de São Paulo acredita que este tipo de proibição aconteça por causa da falta de conhecimento sobre o trabalho dessas profissionais. “Por isso, uma das principais propostas da ADOSP é a conscientização voltada para diferentes públicos sobre quem é a doula, o que ela faz e não faz, assim como apresentar os benefícios desta acompanhante de parto profissional”, explica Daniela de Almeida Andretto, doula e membro da Comissão Científica da ADOSP.

O trabalho da doula é reconhecido?
A atuação da doula durante o parto é reconhecida e estimulada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde. Estudos mostram que a presença delas ajuda a diminuir em 50% os índices de cesáreas, 25% a duração do trabalho de parto, 60% os pedidos de analgesia peridural, 30% o uso de analgesia peridural, 40% o uso de ocitocina e 40% o uso de fórceps. O apoio profissional recebido durante o trabalho de parto e pós-parto aumenta as sensações de bem-estar da mãe e que esta ajuda combate a depressão pós-parto.

Além de todo o suporte físico e psicológico, elas informam e orientam as mães a respeito dos procedimentos considerados desnecessários de acordo com as atuais evidências científicas e orientações da OMS. “Apesar de todas as evidências a favor da livre deambulação durante as fases de dilatação e expulsão, as mulheres ainda são levadas a parir em posição ginecológica, com as pernas amarradas aos estribos”, exemplifica a obstetra Carla Polido, professora assistente do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos.

Em muitos países, como Canadá e Estados Unidos, o acompanhamento das doulas é incentivado pelos médicos. A neurocientista brasileira Andreia Mortensen vive em Oregon, Estados Unidos, e afirma que até os cursos para gestantes dos hospitais costumam ser ministrados por estas profissionais.

Por aqui, as doulas já foram incluídas na Classificação Brasileira de Ocupação e conquistam seus certificados em cursos de até 200 horas que ensinam, além da teoria sobre o parto e as práticas para a profissão, todos os cuidados a respeito da proteção individual e das gestantes em um ambiente hospitalar. As aulas costumam ser ministradas por doulas experientes e obstetrizes em núcleos de apoio ao parto natural. Os mais conhecidos são o Grupo de Apoio à Maternidade Ativa, a Associação Nacional de Doulas e a Casa Moara. Para fazer o curso não é necessário ter formação na área da saúde.

Como encontrar uma doula?
Você consegue encontrar uma doula no site Doulas do Brasil, pesquisando em listas de discussão de gestantes na internet e blogs que algumas profissionais mantêm. Ela pode ser contratada em qualquer período da gestação.

A escolha da doula é fundamental, pois precisa haver empatia entre ela e a gestante para que exista confiança e cumplicidade no momento do parto. Cada doula tem um jeito de trabalhar e você deve escolher a que melhor se adequa as suas necessidades. Mas é importante lembrar que apenas ter uma doula não é garantia para se conseguir um parto natural. Em um país onde quase 90% dos partos em hospitais particulares são cesáreas (quando a recomendação da OMS é que haja no máximo 15%), é necessário ter ao seu lado um obstetra que realmente aceite acompanhar partos naturais e com a presença de uma doula. “Se a gestante tem interesse em receber o apoio contínuo da doula durante do trabalho de parto, ela pode compartilhar esse desejo com seu médico e tentar promover um encontro entre ambos”, orienta Daniela que acredita que este pode ser o início de uma parceria de respeito entre os profissionais de assistência ao parto."

Alessandra Rebecchi Feitosa
Fonte: bebe.com.br

O que é parto humanizado? ~ pela ONG Amigas do Parto


"1) O que é o Parto Humanizado?
É aquele parto no qual mãe e bebê são respeitados em quanto seres físicos, psíquicos e espirituais. Logo, é preciso que a mulher tenha liberdade para realizar o parto conforme suas necessidades psico-físicas e espirituais, sendo os profissionais ajudantes no processo. O parto é da mulher, não do médico.
2) Quais as suas vantagens?
Uma maternidade saudável, o ganho psicológico de se sentir capaz, forte e feliz, e o ganho físico de ter realizado o processo fisiológico inteiro, sem quedas hormonais (que podem levar ao babyblues), e com recuperação rápida. O aleitamento também é beneficiado.
3) Por que o parto cesariano está sendo mais feito no Brasil?
Porque é conveniente para os médicos, sendo rápido e remunerativo. E porque as mulheres não têm informações de qualidades, ou seja não recebem informação objetivas e imparciais. Elas têm medo e são manipuladas pelos profissionais e pela ignorância de ambos.
4) O parto domiciliar está sendo bastante pedido no Brasil?
Sim. A demanda pelo parto domiciliar está crescendo, faltam agora profissionais em número suficiente para dar conta da demanda. Mas, infelizmente, o parto domiciliar também está sendo impedido pela corporação médica. Muitos profissionais que atendem parto domiciliares estão literalmente no alvo de seus colegas, sendo perseguidos. As  academias médicas não ensinam seus estudantes a acompanhar partos domiciliares. Os médicos portanto iriam perder clientela se o parto domiciliar se alastrasse.
5) Por que as pessoas confundem parto humanizado com parto domiciliar?
A confusão quando vem dos órgão oficiais da medicina é criada com o intuito de desacreditar o parto humanizado porque o domiciliar já é alvo de preconceitos e medos infundados mas pouco averiguados. Na realidade, o parto humanizado mais gostoso possível é aquele domiciliar. Não tem nada como parir na própria casa. Porém, às vezes, consegue-se espaços agradáveis também nos quartos das maternidades. Parto humanizado não tem lugar para acontecer, não é um lugar, mas uma forma de dar à luz.
6) Como faço para obter dados sobre as estatísticas?
Dê uma olhada nesse artigo que é de um ex-diretor da organização mundial de saúde Clique AQUI
7) Por que as pessoas tem medo do parto normal?
Por ignorância, falta de informação e de educação. A sociedade moderna alienou as mulheres dos rítmos femininos. Menstruação, parto e aleitamento viraram bichos de sete cabeça, mas não o são. São fáceis de se viver quando se tem  o suporte emocional e as informações qualificadas. Nossa ONG - Amigas do Parto - surgiu exatamente para oferecer esse apoio.(...)" 


Assista vídeos de partos humanizados AQUI

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Parir não exige coragem ~ por Elisama


“Quando digo que pari em casa, naturalmente, sem anestesia ou intervenções, escuto sempre a mesma frase: "Você é corajosa!" Pois bem, venho dizer a todos que não precisa de coragem para parir. Talvez seja necessária coragem para enfrentar uma cirurgia, desnecessariamente. Para parir, não. Pra parir a gente só precisa de entrega. De autoconhecimento. Esquecer as falácias e lendas sobre o parto. Só precisa confiar no corpo que soube gestar, no corpo que alimentou, cuidou e protegeu a cria por nove meses.

A dor do parto jamais me amedrontou. Acredito que, se respeitada em sua fisiologia, cada mulher terá o parto que precisa ter. Rápido ou longo. Tranquilo, orgasmático ou desesperador. A dor vem na medida da nossa necessidade. Eu senti muita dor. Quase 10 horas de bolsa rota. Mas aquela dor me transformou. O trabalho de parto me fez entrar em harmonia com uma mulher que a sociedade moderna me fez esconder. O excesso de tecnologia, as exigências exacerbadas, as verdades que nos vendem prontas em um mundo machista nos fazem perder o contato com o nosso feminino.Perdemos nossa intuição, nossa sensibilidade, nosso poder. Mas o parto me reconectou com a mulher primitiva que vivia em mim, me ligou aos meus instintos mais animais e íntimos. Senti meu corpo se abir. A medida que meu corpo se abria, minha feminilidade se aflorava. Ah, como doía. Dor de vida, dor de transformação, dor de amor. Nada de sofrimento. Dor e sofrimento não são sinônimos.Aquela dor me mostrava do que sou capaz. Me mostrava o quanto sou forte. Me dizia que minha cria estava chegando, vibrante, saudável. Nos colocava juntos em nossa primeira jornada como seres separados. 
Não precisei de coragem para viver o dia mais mágico de minha existência. Um dia suspenso no tempo e espaço. Um dia que não teve horários, gente, mundo exterior. Um dia apenas nosso. Olhei meu filho nos olhos assim que chegou a esse mundo. Segurei em meus braços, pus em meu seio. Senti o cheiro do vernix, a pulsação do cordão que nos ligava. Beijei os cabelos negros. Não trocaria esse momento por nada nesse mundo. Precisava estar lúcida para gravar aquele primeiro olhar em minha memória, para sempre. Precisava dos meus braços livres e o meu corpo desimpedido para envolvê-lo no nosso primeiro abraço. Precisava estar transbordando ocitocina para recebê-lo com cheiro de amor. Não precisa de coragem para viver algo tão rico e natural. 
Não há o que temer. A mulher parida encontra em si uma força sobrenatural. Descobre que a carapuça de sexo frágil não lhe cabe. Que a passividade não lhe define. Saímos de um parto, se natural e respeitoso, conscientes de todo o legado que nossas ancestrais nos deixaram. Descobrimos que cada pedaço de nosso corpo vibra, sente e se harmoniza com o universo. Descobrimos que somos lobas, leoas. Com minha cria em meu braços percebi que era capaz de ir muito além do que considerava serem meus limites. 
Coragem eu precisaria para receber meu filho em uma sala fria, cheia de gente estranha. Coragem eu precisaria para viver a chegada do meu novo ser de forma passiva, imobilizada em uma cama. Coragem eu precisaria para não recebê-lo nos braços. Coragem eu precisaria para violentar meu corpo com cortes profundos, desnecessariamente. Coragem eu precisaria para me deixar anestesiar. Coragem eu precisaria para permitir que arrancassem meu filho de mim. Coragem eu precisaria para perder toda a magia que vivi. Pra parir precisei apenas de respeito e amor.”

Dona do texto Elisama do blog Maternas ~ recomendo!!!!